
A Calantica foi criada no início de 2026 por mim, Daniel Freixa, sócio-gerente (pedreiro desde Abril de 2021). A sua origem é na empresa de construção do meu pai, Fernando Freixa, ainda no activo e já com mais de 30 anos de história na zona de Arraiolos, Alentejo.
Sou herdeiro directo de um património de saber-fazer e competências na arte da construção civil. Da raíz aos acabamentos, fazemos tudo. Sou exigente com rigor, atenção ao pormenor e sentido estético. Considero que os pedreiros são os "escultores" da malha urbana.
Frequentei o ensino superior em Antropologia, proporcionou-me a sensibilização para as técnicas, metodologias e materiais tradicionais. É daí que nasce a ideia de criar uma empresa que além da sua actividade principal que é construir, seja também um repositório de conhecimentos tradicionais e uma escola em contexto prático/experimental.
Num mundo em constante transformação, em que a actividade da construção não é excepção, urge preservar este património que é a construção tradicional. A construção com impressoras 3D já é uma realidade que oferece incríveis soluções. Em contraste com essa aceleração, a Calantica escolhe o ritmo lento alentejano, está focada num segmento de mercado onde a construção é ainda artesanal, os muros de pedra, os rebocos com cal... com confiança que a construção tradicional também é futurista.
Calantica - é uma homenagem ao nome que, dizem os antigos e os académicos, os romanos davam à actual Santana do Campo, aldeia onde há um templo que foi construído pelos romanos para as populações indígenas, que sabe-se adoravam o deus Carneus, sobre cujas ruínas foi construída uma mesquita e depois uma igreja.
Vivi em Santana do Campo até aos meus vinte anos. Estudei Antropologia no ISCTE-IUL e terminei mestrado com especialidade em Turismo e Património, dissertação: Caminhos da Água, história etnográfica e hidráulica em Arraiolos. Mais tarde, estive em Amesterdão a viver e trabalhar. Depois, visitei a Índia durante três meses. Regressei a Portugal, à terra natal, casei e tive um filho e depois uma filha. Comecei a trabalhar como guia-turístico, tive uma agência de animação tur´ística que se chamou Alentejo Heritage Tours. O Covid-19 trouxe-me de volta às obras.
As obras agora são tudo para mim. E o meu lema de vida tem sido: "Do pó nascemos e ao pó voltamos. Um pedreiro vive no pó.". De querer fugir das obras, passei para o orgulho na profissão. Eis o meu percurso e o que tenho para oferecer.
Arte, compromisso, qualidade. São estes os valores da Calantica.